Introdução

Natural de Matosinhos, formou-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto onde passou a ser professor a partir de 1958, aí permanecendo até 1974. A sua actividade repartiu-se pela pintura, e por técnicas como o fresco,, a cerâmica, a tapeçaria e o mosaico, além da cenografia e figurinos para teatro que o levaram a ligar-se ao T.E.P. durante largos anos. Tem pinturas murais em hotéis do Porto, Matosinhos e Fão, na Igreja de N' S" Conceição e na já desaparecida Livraria Portugália, ambas no Porto. Nos inícios dos anos 50 ligou-se a uma prática neo-realista, participando em colectivas associadas a esta corrente. Em 1954 e 1958 fez diversas viagens de estudo ao estrangeiro, neste último ano subsidiado pela F.C.G. Nunca procurou o circuito das exposições individuais consagrando-se de modo mais restrito, em tomo de temas ligados à sua terra natal.
Dos finais dos anos 30 Augusto Gomes foi evoluindo para uma figuração progressivamente mais sólida, em que o tratamento volumétrico das figuras de pescadores e peixeiras, grandes blocos humanos, se associa aos atributos iconográfícos que elegeu: mãos e pés de anatomia exagerada, lenços escuros, rostos passivos mas dolorosos. A problemática semântica encontrou modo de expressão privilegiado na robustez formal.
Uma obra de 1963 / 73, s/ título, exposta na Retrospectiva de 1978, parece ser o equivalente em óleo, ao desenho que apresenta Cristo e um Bispo: um mesmo cão esquelético fareja o sangue do crucificado que, no óleo se despojou da faixa de pano e se apresenta completamente nu, sendo o Bispo substituído pela presença de dois guardas vigilantes. Nas diferenças e nas semelhanças se entrevem uma crítica amarga, e seria interessante tentar descobrir se o pintor passou dos guardas ao bispo, ou vice-versa (ou se a ordem é completamente indiferente).
Finalmente os Robots em luta, de uma fase em que parte da pintura de Augusto Gomes se vai "desumanizando", seja pela desertificação dos cenários, seja por esta mecanização, pertencem a um ciclo de que encontramos exemplares sensivelmente entre 1969 e 1973.

NOTA BIBLIOGRÁFICA: Augusto Gomes [Catálogo de exposição], Matosinhos, 1980; Augusto Gomes. Exposição Retrospectiva, Porto, 1978 [Com texto de Fernando Pemes].